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Por que polivitamínicos de A a Z não servem para você?

Você já usou um sapato que não era seu número? Se é pequeno aperta e fica mega desconfortável, machucando e você não aguenta usar o dia todo. Se é grande não sei se piora ou melhora; afinal, ele sai a cada passo, seu pé fica sambando ali dentro, um desconforto total! O sapato não pode ser grande e nem pequeno, precisa ser seu número e pronto! Mesmo que em marcas diferentes você calce números diferentes, o sapato precisa se encaixar no seu pé, senão não rola.

Então, o mesmo vale para os polivitamínicos! Precisa ser feito pra você, de acordo com suas necessidades senão não rola.


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Os polivitamínicos prontos encontrados no mercado costumam ter muito ou muito pouco - dificilmente terão a quantidade ideal para você - dos nutrientes em formas químicas que nem sempre são as mais interessantes. Aliás, diferente do que muita gente acredita, nem todo mundo precisa suplementar todas as vitaminas, de A a Z. O que precisamos mesmo é ter uma alimentação adequada e suprir todas as nossas necessidades através dela. Se você já ingere ferro suficiente em sua dieta, pra que mais? 🤯 Esse excesso pode, inclusive, te intoxicar - ou será eliminado em forma de xixi (um belo xixi caro 🤑).


"Mas, nutri, então ninguém precisa repor?" Calma! Não generalize! Muitas pessoas precisam. Seja por um aumento de demanda - como acontece na gestação, por exemplo -, por alguma má absorção intestinal, por uma perda de nutrientes devido à alguma infecção ou sangramento, por alguma restrição alimentar momentânea, enfim... muitas pessoas precisam repor.


Mas se existem 7 bilhões de pessoas no mundo, será que temos todos exatamente as mesmas necessidades? E exatamente nas mesmas proporções? Claro que não!

Por isso é tão difícil que os suplementos prontos atinjam suas necessidades: ele não foi feito para você! Nem as quantidades, nem a forma de prescrição. E quanto mais personalizado, mais efetivo será!


Como ter algo personalizado então?

Através de uma prescrição manipulada, feita por um profissional que você confia! É exatamente assim que faço com meus pacientes.


Mas o que muda?

O que acontece é que cada nutriente está disponível em diversas formas que podem ser melhor ou pior absorvidas de acordo com seu organismo e a maneira como ele funciona. Existem muitas maneiras de um mesmo nutriente estar presente em um suplemento, seja em sua forma mais ativa, seja de alguma maneira que aumente a efetividade da absorção, para que ocorra sem competição com outros nutrientes ou, ainda, pode estar associado a mais algum composto que que será interessante para você naquele momento.

Quando a prescrição é manipulada, podemos escolher não apenas a quantidade de cada nutriente como muitas pessoas acreditam, mas também a forma de prescrição de cada nutriente. Apesar de serem apenas alguns detalhes, eles fazem total diferença na efetividade da suplementação e, consequentemente, de todo o tratamento.


Então trata-se apenas da quantidade?

Antes fosse! O polivitamínico pronto, além de conter nutrientes em quantidades que não atingem suas demandas, também não prioriza as melhores formas químicas, o que gera competição e má absorção da maioria dos minerais. Ficou confuso? Calma que te explico!

Imagine que você precisa chegar ao seu trabalho às 8:00 e o meio de locomoção melhor saindo da sua casa é o metrô. Infelizmente, se você mora em São Paulo, essa não é uma realidade só sua e você enfrentará o transporte lotado em horário de pico. Agora imagine que você não tomou nenhuma providência que te adiantasse e, justamente naquele dia, houve um problema na linha em um horário anterior e o metrô está mais lotado que o normal. Você e outras milhares de pessoas competirão pelo mesmo metrô... algumas conseguirão entrar e chegarão ao trabalho a tempo, outras não. Aqueles mais fortes, espertos ou ágeis possuirão vantagem sobre os demais; e os que não conseguirem, ficarão de fora e não atingirão seu objetivo.

Quando você ingere um polivitamínico, algo parecido acontece com os minerais. Muitos deles precisam se ligar a um mesmo receptor para serem absorvidos e já que chegaram todos ali ao mesmo tempo, existe uma competição. O receptor é o metrô em que todos precisam entrar. Se há muitos minerais competindo pelo mesmo, faltarão vagas; alguns conseguirão, outros não. E exatamente o que você imagina acontece: alguns são absorvidos e o restante é descartado. Apesar de você ter consumido o suplemento, parte dele não valerá de nada... será eliminada.

Na manipulação temos a liberdade de escolher a forma que queremos prescrever os minerais e utilizamos estratégias para burlar essa competição. Geralmente fazemos isso quelando os minerais. Já leu em alguma prescrição "ferro quelado"? É como se pedíssemos à farmácia que, ao invés de colocar o ferro sozinho, que o adicionasse ligado a um aminoácido, por exemplo. Dessa forma, ao invés de ele competir pelo receptor, é absorvido junto ao aminoácido de forma muito mais eficiente. Bela estratégia, né!?

E vai além: podemos escolher também a substância quelante, otimizando ainda mais o tratamento! O magnésio, por exemplo, pode ser prescrito como magnésio dimalato, em que é associado ao ácido málico, contribuindo para o tratamento de dores musculares ou fadiga, mas também pode ser associado ao inositol, que contribui para o tratamento de insônia, entre muitas outras possibilidades. Cada mineral tem sua função e cada adjuvante também! É um detalhezinho mínimo, mas que melhora seu sono ou dores musculares, de acordo com sua necessidade.

A forma química também é importante quando pensamos na forma ativa de cada componente. A vitamina D, por exemplo, passa por vários processos de ativação em nosso organismo. Se há urgência na suplementação ou se foi observada falha em alguma parte do processo, por que já não prescrevê-la em sua forma ativa? Outro exemplo é o ácido fólico, que é um mineral tão importante na gestação. Após ingerido como ácido fólico, ele precisa de uma enzima para convertê-lo em metilfolato, que é sua forma ativa no corpo; mas algumas mulheres possuem uma mutação que impossibilita essa conversão. De que adiantaria prescrever ácido fólico para essas mulheres se elas não seriam capazes de ativá-lo? Ter a possibilidade de escolher como esses nutrientes chegarão até você é fundamental!

Por fim, podemos escolher também os excipientes, que são as substâncias que dão "corpo" à fórmula. Quando prescrevemos vitaminas ou minerais, eles precisam ser estabilizados e precisam de algo que forme os xaropes, balas, comprimidos ou pós efervecentes que serão ingeridos, já que as partes ativas são geralmente em uma quantidade muito pequena. Diversas substâncias são utilizadas durante esse processo, das mais variadas possíveis, inclusive a lactose, por exemplo. Imagine um intolerante a lactose consumindo um comprimido que utiliza esse excipiente na formulação? Seria trágico. E isso pode ser evitado quando o prescritor - que pode ser a nutricionista - especifica na formulação que esse excipiente não deve ser utilizado. Além disso, algumas vitaminas são melhor absorvidas quando o meio em que estão é mais gorduroso, como a vitamina E, por exemplo, e, nesse caso, o azeite pode ser eleito como excipiente.


UAU! Quanta coisa precisa ser pensada durante uma simples prescrição né!?

Agora me responda sinceramente: A farmácia que faz o polivitamínico de A a Z vai levar tudo isso em consideração?

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Não tem nem como! Afinal, como ela vai atender todas as suas demandas sem nem te conhecer? Será que você precisa de todas essas vitaminas? Será que as dosagens serão suficientes? Será que estarão em quantidades exageradas? Será que te fará bem? Será que todos os nutrientes serão absorvidos? Ou será que consumirá algo que pode até ser desperdiçado por má absorção?

A regra é clara: quanto mais personalizado melhor! E isso é a diferença ao ser atendido por um profissional de qualidade, que te conhece e sabe suas demandas.

Infelizmente, desde o começo da pandemia, percebo com muito mais frequência pessoas suplementando vitaminas e minerais sem supervisão ou sem saber a real necessidade de seu organismo. Isso pode ser perigoso! Procure sempre ajuda e lembre-se: nada em excesso faz bem ao seu corpo! Nem vitaminas!


Espero ter esclarecido os pontos importantes desse assunto que traz tantas dúvidas! Caso tenha restado alguma, comente abaixo! Será um prazer esclarecê-la!


Beijos, se cuida!

Até!

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